sábado, julho 10, 2010

Na pele.


Ela tinha quinze anos e escreveu uma carta de amor.

Talvez um pouco mais, alias, um pouco menos, ou a mais.

Tanto faz, mas afirmo ainda que ela escreveu uma carta de amor.

Nos tempos de tecnologia ela brinca de nostalgia.

Tudo bem, vou te explicar porque falar dessa mera escritorazinha de lápis de cor em folha de revista.

Ela amou! Ontem, alguém ela amou.

E te chamou de amor, e se envolveu como se nada nesse mundo pudesse existir. Como se ninguém pudesse interferir, como se nada no mundo pudesse te ferir.

Ela amou.

Amou da mais pura inocência dos seus menos-de-quinze-anos.

E esse amor, ah, esse amor é tudo que ela sempre quis. Até que ela descobriu que aquilo podia ser somente uma doença. E recusou a se tratar.

E sofreu, e sofreu, e sofreu, doeu.

Esqueceu.

Esquece, já esqueceu. Passou, doeu, mas passou.

Ai já era tarde demais. Ou não. Tarde para voltar atrás. Ou não.

Acho que cansou. Acho que mudou. Achei também que não era amor.

Não sei o nome daquilo, pode ser felicidade momentânea, que acaba. Que acabou.

E sabe o que aconteceu? Ela cresceu.

Mudou.

E sabe o que aconteceu quando ela cresceu?

Amou. Mas ninguém sabe se era amor.

Mesmo assim ela amou.

E não aprendeu. E sofreu.

E (dês)amou.

E o que aconteceu?

Ela ainda ama.

4 comentários:

Marie disse...

Me sinto assim, as vezes.

Fernanda Hauptmann disse...

'E sabe o que aconteceu quando ela cresceu?
Amou. Mas ninguém sabe se era amor.'

é, deve ser o que acontece comigo.

_

Muito, muito, muito bonito.

Beatriz Silveira disse...

E sabe o que vai acontecer?
Ela vai continuar a amar, a sofrer e mesmo com os anos ainda vai doer. A pessoa pode mudar, a menininha vai crescer, mas o amor não muda, fica até clichê.

Pâmella Ferrari disse...

Você é loca, imagine quando tiver 80 anos? essa tattoo vai tá só pelanca! UAHUAHUAHAUHAUHAUA