quarta-feira, março 24, 2010

ADORAR.

Foi a única palavra que ela encontrou. ADORAÇÃO.
Foi assim que ela conseguiu descrever. Foi somente assim que ela conseguiu imaginar. Uma palavra flutuante, e MAIÚSCULA. Com entonação de quem grita. De quem fala alto. Porque é FORTE. É alto. Mas na memória vem a voz baixa. Tranqüila.
E também a IRRITANTE certeza de que o orgulho não ACEITA este tipo de coisa.
AUTOSUFICIENTE ela adora, mas JAMAIS dá o braço a torcer. Demonstra por entrelinhas, mas de cara lavada abaixa a cabeça. E fica na dela.
BEM me quer, MAL me quer.
Em um momento fora do esperado, ela escapa a VONTADE de fazer brotar um sorriso AMARELO que seja. Por um caminho de pedra que não ACARICIA e nem BEIJA os pés. Mas que ela vai PISANDO, com CUIDADO. Um caminho que NÃO salda a sua CHEGADA.
Os pés tocam mais uma vez o chão. Em uma realeza não real. Tateando a grama que engolia o salto, mas o EQUILIBRIO se fez presente.
Aqueles olhos desenhados, os cílios que tocavam UM ao OUTRO, a cada piscada, as mãos TRANQUILAS, e a pele cor de SOL. E tantas a palavras sem SENTIDO em uma PAZ e uma consonância de frações de segundos. Letra por letra, MUSICA por musica, tom por TOM.
Os caninos formavam risos, e os OLHOS sorriam também.
Era como a perfeita ordem dos fatores. As palavras tinham CORES.
As letras tinham SABORES.
Tudo me parece LONGE demais.
Mal pude ver a cor esbranquiçada da lua naquela noite. A raiva e o MEDO tomaram conta mais uma vez deste CONTO que eu CONTO a quem quiser ouvir.Mas é somente mais um ADORAVEL conto que meu pensamento faz saltar pelos dedos. PISANDO com cuidado. Os pés tocam mais uma vez o chão.

3 comentários:

HSLO disse...

Texto gostoso de ler.



abraços

Hugo

Larissa disse...

Não há o que dizer. Tuas palavras em maiúscula soaram fortes, como precisavam. Adorei.

Um beijo.

Geraldo de Barros disse...

Paula, gosto muito de suas palavras, muito bom estar aqui!

=)